terça-feira, 5 de março de 2013

Insanidade em cena: Reviravolta.


A Margem do Subterfúgio



Outrora as mãos miúdas já possuíam calos, no pequeno rosto o suor de trabalhador escorria das cinco da manhã às cinco da tarde todos os dias.

Alimentou-se de garapa e de fuba que a mãe recolhia no lixão.

Cresceu assim, com os pés descalço e uma enxada nas mãos, vendo a morte de semana a semana, sem liberdade, com medo, abandonado pela sociedade, exposto à seca, tendo fome e fé.

O menino tornou-se homem, um homem que começou a perceber que a vida era dura e que os seres humanos eram cruéis.

Quis mudar, mudou!

Folheava todos os dias o livro que encontrou no lixo, olhava as imagens e as letras, procurou mais livros e mais livros. Aprendeu o nome das letras, ensinou para as filhas.

Metamorfoseou seu caminho de barro e pedras em asfalto liso, brigou pela vida, lutou pela educação de suas meninas. Trocou o medo por esperança, trocou o abandono por busca de direitos.

Acordava às cinco da manhã, deixava as pequenas na escola e seguia com mais duas enxadas nas mãos para dar um futuro melhor as suas pupilas.

O homem tornou-se velho e suas filhas moças, moças alfabetizadas e universitárias.

O homem tornou-se velho, um velho com nome assinatura e registro.

JOSÉ CAMPOS SILVA

José transformou-se em história, em memória, na lembrança mais rica que suas filhas e netos têm.

José transformou-se em exemplo para todos aqueles que têm um pouco de fé e esperança e que acreditam na vida, e, em uma forma de muda-la para melhor.



Ethienne Peixoto
01/03/2013---- H: 18h21min

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