A Margem do Subterfúgio
Outrora as mãos miúdas já possuíam calos, no pequeno rosto o suor de
trabalhador escorria das cinco da manhã às cinco da tarde todos os dias.
Alimentou-se de garapa e de fuba que a mãe recolhia no lixão.
Cresceu assim, com os pés descalço e uma enxada nas mãos, vendo a morte de
semana a semana, sem liberdade, com medo, abandonado pela sociedade, exposto à
seca, tendo fome e fé.
O menino tornou-se homem, um homem que começou a perceber que a vida era
dura e que os seres humanos eram cruéis.
Quis mudar, mudou!
Folheava todos os dias o livro que encontrou no lixo, olhava as imagens e
as letras, procurou mais livros e mais livros. Aprendeu o nome das letras,
ensinou para as filhas.
Metamorfoseou seu caminho de barro e pedras em asfalto liso, brigou pela
vida, lutou pela educação de suas meninas. Trocou o medo por esperança, trocou
o abandono por busca de direitos.
Acordava às cinco da manhã, deixava as pequenas na escola e seguia com mais
duas enxadas nas mãos para dar um futuro melhor as suas pupilas.
O homem tornou-se velho e suas filhas moças, moças alfabetizadas e
universitárias.
O homem tornou-se velho, um velho com nome assinatura e registro.
JOSÉ CAMPOS SILVA
José transformou-se em história, em memória, na lembrança mais rica que
suas filhas e netos têm.
José transformou-se em exemplo para todos aqueles que têm um pouco de fé e
esperança e que acreditam na vida, e, em uma forma de muda-la para melhor.
Ethienne Peixoto
01/03/2013---- H: 18h21min
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