Incerto/Inseto em Metamorfose
As
luas se passaram e algumas Joaninhas preocupavam-se ainda mais com a Lagarta.
Lagarta
não sabia o que viria dali em diante, tinha dúvidas e medos do que a atraía
para dentro e fora de si.
Sua
história é interessante e melancólica. Tua ternura não usava máscaras para Abelha,
mas, sim para o jardim que as rodeava.
Demostrava
o seu grande fascínios em Abelha por cada minuto vivido naquele jardim de
vagalumes mórbidos. Não que não gostasse dos vagalumes, só que alguns deles davam
nela uma espécie de receio.
Ela,
a Lagarta, já não está no jardim, todavia, tua história continua a passear por lá, por cá e por ali.
***
Certa
noite visando que a distância se tornava maior, Lagarta cometeu seu maior
crime. Retirou com a ajuda de uma letra alfabética, da máquina de escrever
antiga, uma folha de quatro trevos com pigmentos bem esverdeados (escolheu essa
por lhe trazer esperança de algo novo) e a cada lua que passava arrancava uma
pétala da própria sorte.
Na
primeira vez, a noite era muito chuvosa e não tinha ninguém consigo, as
lágrimas confundiam-se plenamente com as gotas que caiam do céu. Não se
encorajou e nem se fez entender. Sentiu-se inútil. Arrancou com tanta raiva sua
primeira pétala que sangrou por dentro e sentiu ódio.
Na
segunda noite, tentou convencer Abelha de irem juntas verem as estrelas ou
apreciar o lago que ficava poucos minutos dali. Com a negação de Abelha, a
Lagarta, mesmo rasgando todo o coração por dentro não derramou se quer uma
lágrima, saiu e direcionou-se até seu lugar preferido, escondeu-se embaixo de
uma plantação de algodão, pois lá, se sentia aquecida e caso chorasse novamente
teria onde enxugar seu pranto. Arrancou a segunda pétala do trevo, e com o ato vieram
todos os sentimentos adquiridos daquela relação e discussões internas do que
realmente valeria a pena. Saiu ainda desse ensejo com dúvidas, porém, ficou
feliz por não ter chovido pra fora de si e nem ter plantado sementes obscuras.
Antes
de retirar a terceira pétala, Lagarta, manteve-se paciente e entendedora de
todas as causas e coisas, colocou tudo à modo de clareza para Abelha e largou
em cima da mesma o que sentia. Respondeu todas as perguntas que foram feitas a
ela e se pôs a prova e a provar. Fez-se mar, terra, ar e água, no entanto, não
obteve resposta; nem sorrisos; nem lágrimas; nem nada. Não se tinha nem doce
nem sal.
Abelha,
diante de todas as revelações, ficou sem resposta sem ferrão, à coitada não
compreendia tamanho sentimento e duvidava se esse sentimento realmente
existira, então se calou.
Diante
disso a linda Lagarta colorida se afligiu, porém, também criou esperança.
No
dia seguinte, Lagarta esqueceu-se do sol da manhã e acabou por não cumprir suas
tarefas apenas quedou-se a pensar em tudo, contudo, com mais calma e com o
coração mais leve. Decidiu então fazer um teste, observar... Pensou ela que
talvez Abelha lhe desse algum sinal do que fazer e logo começou a espreitar sua
pupila; de vez ela enrolava duas plantinhas miúdas e fazia de binóculos; de vez
ela puxava um assunto e atentava (paranoia) para os gestos corporais de
Abelhinha.
Quando
caiu a noite todas as Estrelas já estavam postas no céu e algumas Joaninhas
corriam entre as plantações de algodão. Lagarta estagnou-se embaixo de uma flor
branquinha e olhava fixamente o “trevo”, não piscava e prendia a respiração por
minutos. Por fim desarraigou a última pétala.
No
mesmo momento seu coração fez um estalo... Foi dor! Uma dor de liberdade e
descaminho. Ela naquele instante sabia que estava livre, entretanto, não sabia
pra quem, nem pra quê. Não chorou nem sorriu, apenas, assustou-se com o som do
coração e o “último” grito que a esperança dava.
Saiu
a andar carregando o cabinho da planta. Todos
a olhavam e sentiam pena, ela também começou a sentir pena de si. Concluiu a
pobre, que nela não existia a sorte de encontrar seu par mesmo esse sendo
diferente e reprimido.
Lagarta
seguiu, passou por toda a plantação de algodão, pelo lago e olhava para a
imensidão de estrelas que a seguiam juntamente com a lua e Joaninhas, gritou para
que todos fossem embora, não obstante, elas se mostraram verdadeiras amigas,
ficaram ali mesmo exausta.
***
As luas se passaram e algumas Joaninhas preocupavam-se ainda mais com a Lagarta.
Lagarta
não sabia o que viria dali em diante, tinha dúvidas e medos do que a atraía
para dentro e fora de si.
Numa
tarde então ela parou de vagar e descansou no recanto de uma árvore (muito
bonita por sinal), ali a pequena simplicissimamente deixou que todo aquele desgaste a
invadisse, chorou por um tempo, agitou-se e soluçou da dor que a tomava,
berrava aos quatro cantos que queria algo novo, ás Joaninhas tentavam
acalma-la, as Estrelas cantavam para ela e a Lua só dizia:
-Deixem-na! Deixem-na
colocar para fora.
E
Lagarta berrava e berrava, soluçava e soluçava, se açoitava e se açoitava a lua
então com toda sua paz enviou para a pequena o sono, que a pegou. Lagarta
queria lutar contra aquilo, todavia, o cansaço era imenso e finalmente dormiu.
A Lua ficou ali, zelando pelo sono da pequena durante alguns dias e noites. E
no primeiro domingo daquela primavera ensolarada onde as flores desabotoavam algo
novo surgia naquela linda árvore. Era uma beleza imensurável! Nela havia um ser arco íris que se abria depois de uma grande metamorfose de dias e sentimentos.
O
livre se fazia presente e o novo início se fazia pelo bater das asas coloridas coadunado
num papel natural amarelado.
Ethienne
Peixoto
27/06/2013
00h28min
