Feito de Papel
E antes que eu visse tuas mãos já estavam sobre mim.
E eu, por minha miséria ou bondade nada fiz para evitar tua raiva, teu ódio, teu desgosto e inveja.
O ar já faltava em minha pele, os olhos não aguentavam tanta pressão.
Vi-me diante da morte, e antes que desfalecesse uma força que não percebi
chegar, me impulsionou para longe de ti.
A cólera levou-me a um sofrimento descomunal, a um choro expansivo e tão
alto que as paredes se calaram.
Após toda a ação, o que impregnou-me foi a falta.
A falta de equilíbrio, a falta de coragem, a falta de ataque por alguém que
nascera do mesmo ventre.
À vista disto
Ponho-me em formato de papel, que é forte, mas sensível a qualquer toque.
Ponho-me em formato de papel, e me deixo amassar sem poder evitar.
Ponho-me em formato de papel, que outrora era árvore e por conta da
necessidade do outro se tornou lasca, lasca que te serviu e depois foi
descartada por tuas próprias mãos que anteriormente tanto carecia da tal
claridade e caridade.
Ethienne Peixoto
D: 06/05/2013
H: 21h25min

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