terça-feira, 16 de julho de 2013

Dupla Face: Fábula

Incerto/Inseto em Metamorfose

As luas se passaram e algumas Joaninhas preocupavam-se ainda mais com a Lagarta.
Lagarta não sabia o que viria dali em diante, tinha dúvidas e medos do que a atraía para dentro e fora de si.

Sua história é interessante e melancólica. Tua ternura não usava máscaras para Abelha, mas, sim para o jardim que as rodeava.
Demostrava o seu grande fascínios em Abelha por cada minuto vivido naquele jardim de vagalumes mórbidos. Não que não gostasse dos vagalumes, só que alguns deles davam nela uma espécie de receio.

Ela, a Lagarta, já não está no jardim, todavia, tua história continua a passear por lá, por cá  e por ali.
***
Certa noite visando que a distância se tornava maior, Lagarta cometeu seu maior crime. Retirou com a ajuda de uma letra alfabética, da máquina de escrever antiga, uma folha de quatro trevos com pigmentos bem esverdeados (escolheu essa por lhe trazer esperança de algo novo) e a cada lua que passava arrancava uma pétala da própria sorte.

Na primeira vez, a noite era muito chuvosa e não tinha ninguém consigo, as lágrimas confundiam-se plenamente com as gotas que caiam do céu. Não se encorajou e nem se fez entender. Sentiu-se inútil. Arrancou com tanta raiva sua primeira pétala que sangrou por dentro e sentiu ódio.

Na segunda noite, tentou convencer Abelha de irem juntas verem as estrelas ou apreciar o lago que ficava poucos minutos dali. Com a negação de Abelha, a Lagarta, mesmo rasgando todo o coração por dentro não derramou se quer uma lágrima, saiu e direcionou-se até seu lugar preferido, escondeu-se embaixo de uma plantação de algodão, pois lá, se sentia aquecida e caso chorasse novamente teria onde enxugar seu pranto. Arrancou a segunda pétala do trevo, e com o ato vieram todos os sentimentos adquiridos daquela relação e discussões internas do que realmente valeria a pena. Saiu ainda desse ensejo com dúvidas, porém, ficou feliz por não ter chovido pra fora de si e nem ter plantado sementes obscuras.

Antes de retirar a terceira pétala, Lagarta, manteve-se paciente e entendedora de todas as causas e coisas, colocou tudo à modo de clareza para Abelha e largou em cima da mesma o que sentia. Respondeu todas as perguntas que foram feitas a ela e se pôs a prova e a provar. Fez-se mar, terra, ar e água, no entanto, não obteve resposta; nem sorrisos; nem lágrimas; nem nada. Não se tinha nem doce nem sal.
Abelha, diante de todas as revelações, ficou sem resposta sem ferrão, à coitada não compreendia tamanho sentimento e duvidava se esse sentimento realmente existira, então se calou.
Diante disso a linda Lagarta colorida se afligiu, porém, também criou esperança.

No dia seguinte, Lagarta esqueceu-se do sol da manhã e acabou por não cumprir suas tarefas apenas quedou-se a pensar em tudo, contudo, com mais calma e com o coração mais leve. Decidiu então fazer um teste, observar... Pensou ela que talvez Abelha lhe desse algum sinal do que fazer e logo começou a espreitar sua pupila; de vez ela enrolava duas plantinhas miúdas e fazia de binóculos; de vez ela puxava um assunto e atentava (paranoia) para os gestos corporais de Abelhinha.

Quando caiu a noite todas as Estrelas já estavam postas no céu e algumas Joaninhas corriam entre as plantações de algodão. Lagarta estagnou-se embaixo de uma flor branquinha e olhava fixamente o “trevo”, não piscava e prendia a respiração por minutos. Por fim desarraigou a última pétala.
No mesmo momento seu coração fez um estalo... Foi dor! Uma dor de liberdade e descaminho. Ela naquele instante sabia que estava livre, entretanto, não sabia pra quem, nem pra quê. Não chorou nem sorriu, apenas, assustou-se com o som do coração e o “último” grito que a esperança dava.

Saiu a andar carregando o cabinho da planta. Todos a olhavam e sentiam pena, ela também começou a sentir pena de si. Concluiu a pobre, que nela não existia a sorte de encontrar seu par mesmo esse sendo diferente e reprimido.

Lagarta seguiu, passou por toda a plantação de algodão, pelo lago e olhava para a imensidão de estrelas que a seguiam juntamente com a lua e Joaninhas, gritou para que todos fossem embora, não obstante, elas se mostraram verdadeiras amigas, ficaram ali mesmo exausta.
***
As luas se passaram e algumas Joaninhas preocupavam-se ainda mais com a Lagarta.
Lagarta não sabia o que viria dali em diante, tinha dúvidas e medos do que a atraía para dentro e fora de si.

Numa tarde então ela parou de vagar e descansou no recanto de uma árvore (muito bonita por sinal), ali a pequena simplicissimamente deixou que todo aquele desgaste a invadisse, chorou por um tempo, agitou-se e soluçou da dor que a tomava, berrava aos quatro cantos que queria algo novo, ás Joaninhas tentavam acalma-la, as Estrelas cantavam para ela e a Lua só dizia: 

-Deixem-na! Deixem-na colocar para fora.

E Lagarta berrava e berrava, soluçava e soluçava, se açoitava e se açoitava a lua então com toda sua paz enviou para a pequena o sono, que a pegou. Lagarta queria lutar contra aquilo, todavia, o cansaço era imenso e finalmente dormiu. 

A Lua ficou ali, zelando pelo sono da pequena durante alguns dias e noites. E no primeiro domingo daquela primavera ensolarada onde as flores desabotoavam algo novo surgia naquela linda árvore. Era uma beleza imensurável! Nela havia um ser arco íris que se abria depois de uma grande metamorfose de dias e sentimentos.

O livre se fazia presente e o novo início se fazia pelo bater das asas coloridas coadunado num papel natural amarelado.

Ethienne Peixoto

27/06/2013 00h28min

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