Sensação em Lua
Tuas
f(r)ases são falsas.
Tuas
carícias mesmo amenas aparentam mentiras em tato e paladar.
Contigo
tenho sinônimos e antônimos das palavras do mundo.
Nossos
meios de comunicação me fazem fraquejar algumas vezes em que te leio ou ouço,
verbos esses que nos tem há 31 luas.
Busco
em mim a não expectativa, e tu a cativas sem dó.
Busco
em mim o desapego, e tu não da à mínima para o significado da tal palavra.
Entorpeço-me
em linhas da literatura afegã, para que por pequenos instantes me esqueça de
tua grandiosa existência.
Somos
tão inimigos como amantes.
Minha
alma reluz ao pensar que um dia, lá no futuro, nos encontraremos para mais um
brinde.
-
Tu és meu presente e passado!
O
futuro é feito de estrelas, de sol, mar, de tudo o que é natural no planeta,
disso tenho certeza. Pois, em todos esses anos, foram estes naturais que se
chocaram nos tempos. E mesmo os naturais sendo tocados por homens, permaneciam
ou quase permaneciam intactos.
-
Alguns conseguem outros não.
Cena de ensejo:
Ele
a tocou, a sentiu.
Ela
também o sentiu.
(Corpos.)
Ela
se entregou nua e reluzia sua própria naturalidade. Afago!
Ele
utilizou-se de outras materias para se cobrir de vestes modernas e para que
assim pudesse estar ao lado de tão grande guiadora de gênero feminino.
Ela
se manteve intacta.
(Fim de cena)
Quero
ser como a lua!
Sei
que tenho minha própria luz, minha energia e beleza. Mas, porque retinas como
as tuas invadem tão facilmente minha alma?
Quero
ser como a lua. Suplico!
Quero
ser como ela, com tua força, nudez e entrega total do corpo, entretanto de
sensação pouco cálida e de não se deixar metamorfosear com o toque do ser
humano.
Quero
ser como a lua. Suplico!
Suplico
a todos os átomos do meu corpo e do seu.
Quero
ser como a lua!
Ethienne
Peixoto

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