sábado, 15 de junho de 2013

Ato: Dupla Face

Vogar Mélico

E cada degrau que subíamos era um novo passo, meu e teu.
Tua singela olhada de lado e teus fios um tanto soltos no rosto, às vezes me fazia negar a tua vista.
As reflexões eram o que me fazia estar ali.
Todo o tempo tentava voltar meus pensamentos ao nosso momento, sem deixar que a tontura me levasse à outrora.
Tuas mãos deslizavam em minha perna, e por instantes não tive reação ou coragem.
Teu sorriso e perguntas acessavam minha alma aos poucos. E com as palavras mais bucólicas tentava retirar de ti tuas duvidas e angustias do ensejo e do todo.

- Um pirata.

Subimos mais um tanto naquele navio para que ele não naufragasse.  
O Clima estava tíbio, mas, a melodia e alguns toques, o transformou.
Pensei “agora ou...”.
Enfim... Os lábios tocaram-se ao som de uma das suas prediletas que por coincidência minha também.
A doçura de teus lábios me encheu de mel, e por alguns instantes pensei em não me desgrudar mais de ti.
Mas como não senti o final? É sempre nele que encontramos a vontade do querer mais.

- Estamos apenas discutindo a relação!

Voltamos ao prelúdio daquela história de navio, “que balançava por demais em minha percepção”.
Ficamos ali em plano baixo olhando-nos com risadas sem sentidos e que encobriam tudo o que passara.
Queríamos mais e mais... Todavia, já era o momento de partir, pois, para nós já haviam dado o sinal.
Chegamos ao porto!
Entretanto, em instantes depois, voltamos a navegar, e dessa vez sem piratas.


Ethienne Peixoto> 18h30minh 15/06/2013

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