Borboletas de Ilusão
De enganar teus próprios olhos, a menina, pois a
derreter-te pelo rapaz de pouca idade.
Como pudera a
distância ser deveras influenciadora.
Como pudera a
garganta ser tão fraca.
Como pudera o
coração está rachado e pela pequena abertura receber dores falsas, que a
própria mente criara.
As flechas no olhar não foram o que Ana havia pensado.
Elas nem mesmo existiram.
Tudo um tanto de apenas ilusão
Mario o menino gentil e gracioso de palavras encantadoras e um bom
gosto lírico de vida, só tentava conversar do outro lado da poltrona.
O descuidado
coração e a carência daquela que tinha fitas azuis nos cabelos avermelhados, se
entregava a uma mentira que a pele criava junto aos outros sentidos.
Ana ouvia as palavras daquele moço como se cada frase
fosse algodão, onde ela pulava e era lançada no ar e subia e provava a doçura.
Ana enxergava tudo
colorido, como se por traz do menino moço de barba falhada e camisa listrada
houvesse um reluzente arco-íris.
Ana tocava nos
cabelos encaracolados de Mario e sentia-se bem, suas lagrimas sumiam e um
sorriso vinha derretendo todo o rosto que antes estava rígido e
molhado e então milhares de borboletas lhe invadiam.
Mas nem mesmo os lábios de Mario ela tocou.
Nem mesmo o abraço
dele sentiu.
Nem mesmo em sua
pele pode ter tido o prazer de ser acariciada.
Ouvia músicas em seu toca fitas que a faziam relembrar o menino
que instrumentava notas e cifras em seu violão. Chorava por ter um
coração tão duro com ela mesma e pedia para que se não fosse pra dar certo não
tivesse um início.
Ana teve que aprender sozinha, que era ela
a própria autora de tanto sofrimento, que era ela mesma que se enganava
e criava toda a expectativa e vontade, e o coração só respondia
a consciência e o desejo de não ser mais só.
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